Guias de Hotéis

Na próxima semana estrearei aqui no FrontDesk uma nova seção conforme prometido. Escreverei mensalmente uma avaliação completa  de um hotel onde eu tenha me hospedado.

Sempre senti falta de avaliações e resenhas bem feitas e completas sobre hotéis. Guias do tipo 4 Rodas são úteis e isso é inegável. Porém, as informações nele contidas são bastante limitadas. Se você quiser ou precisar de informações mais detalhadas (e principalmente isentas) a respeito de um hotel, suas instalações, serviço, atendimento etc,  fica um pouco complicado. Pesquisei bastante a internet e não achei nada que atendesse minhas expectativas. Daí surgiu minha iniciativa.

Pretendo postar uma avaliação por mês, contendo as seguintes informações:

  • Nome do Hotel;
  • Localização;
  • Categoria;
  • Motivo da hospedagem (quando for relevante);
  • Como conheci o hotel e processo de reserva;
  • Serviços prestados e atendimento de cada setor (recepção, governança, restaurante, estacionamento, lavanderia, eventos etc.)
  • O que oferece e diferenciais;
  • Solução de problemas;
  • Cuxto x Benefício;
  • Conclusão e observações.

Acredito que com essa estrutura é possível cobrir todas as informações pertinentes. Contudo, sendo uma primeira experiência, ela é passível de mudanças de forma para se tornar mais útil. Inicialmente postarei avaliações de hotéis de Belo Horizonte e Região Metropolitana, pretendendo, num curto prazo extender essas avaliações para hotéis de todo o Brasil. Conto com a ajuda de todos para aprimorar esse serviço.

Até semana que vem e um bom feriado para vocês.

Notícia: Starwood oferece diária de final de semana grátis

A rede Starwood que administra as marcas W, Sheraton, Le Meridien, Four Points, entre outras está oferendo diária de final de semana como cortesia para seus clientes fidelidade que se hospedarem por duas noites durante a semana. Ou seja, se hospedando de terça a quinta, o cliente ganha o sábado e o domingo gratuitamente.

Comentário: a receita é bem conhecida. A empresa oferece vantagens atraentes para seus clientes inscritos no programa fidelidade, num período que gera pouco impacto nas vendas do hotel, finais de semana. Trazendo a questão para nossa realidade, é mais do que sabido que o final de semana é o Calcanhar de Aquiles da hotelaria brasileira em destinos voltado para o turismo de negócios. Cidades como São Paulo e Belo Horizonte experimentam queda significativa de receita de sexta a domingo.

Essa iniciativa da Starwood, embora não gere receita direta, ajuda a fidelizar seu cliente, bem como serve de vitrine, mostrando novas opções de uso para seus empreendimentos. Hotéis localizados em cidades com baixa ocupação de final de semana deveriam ser bem mais agressivos em suas estratégias de final de semana. A máxima “quem não é visto, não é lembrado”, também vale para a hotelaria. Abrir mão de parte da margem de lucro (ou mesmo de toda ela), de forma pontual nos finais de semana é uma forma de apresentar o hotel para novos públicos e para novos usos.

Como as pessoas que começam a beber vinho, e com o tempo vão aumentando a quantidade consumida e a qualidade e preço dos vinhos degustados, os hóspedes de final de semana criam também hábitos de consumo, que tendem a ser mais sofisticados com o passar do tempo. Volto ao artigo:  “Marketing em Hotelaria – Investimento ou Despesa?” para lembrar como os gestores de hotéis são conservadores quanto a investimentos de marketing. Está na hora de ousar um pouco mais. Mãos a obra.

Marketing em Hotelaria – Investimento ou Despesa?

Antes de mais nada, sei que estou incorrendo em um erro semântico ao comparar as duas coisas. Investir, geralmente pressupõe despesas, eu sei. Porém, quero chegar em outro lugar, e para isso partirei também de um ponto diferente.

Minha vivência em hotelaria me mostrou que na esmagadora maioria dos casos, gestores, investidores e donos de hotéis tratam o trabalho do departamento de marketing apenas como um gasto, e ainda não aprenderam a ver que esse gasto deve ser revertido em benefícios para o hotel. Esses benefícios podem ser de diversas espécies, não necessariamente financeiros, ou diretamente financeiros pelo menos. Relacionamento com cliente, desenvolvimento da marca, ações institucionais, entre outras, são uma forma reconhecida de agregar valor ao produto ou serviço, gerando em algum tempo, também o retorno financeiro.

Vejo atualmente, um jogo de esconde-esconde entre gestores de hotelaria e os departamentos de marketing, onde todo mundo perde, principalmente o empreendimento. O jogo funciona da seguinte maneira: os gestores fingem dar importância ao departamento de marketing, colocando-o como uma sub-função do departamento de vendas, e destinando-lhe um orçamento pífio; e o departamento de marketing por sua vez finge que desenvolve um trabalho relevante, sendo que na maioria das vezes busca apenas agradar o seu gestor. Não é minha intenção apontar culpados, não estou aqui para desvendar o pecado original. O fato é que essa negligência de mão-dupla mina o potencial dos hotéis e redes de hotéis, e devre acabar.

O  mundo dos negócios hoje é extremanente competitivo, e a disputa pela atenção e lealdade do cliente é cada vez mais acirrada. A frase acima e suas variantes já foi exaustivamente repetida, mas continua sendo verdade, e pior, continua muitas vezes sendo desprezada. Ressalto aqui que esse texto não esconde qualquer tipo de ingenuidade. Não acho que empresas tratam seus clientes bem por pura bondade. Bobagem. Empresas visam lucro, e tratam seus clientes bem, na medida em que esses clientes dão retorno. Nenhuma empresa no mundo capitalista investe X, pensando em ter um retorno de 1/2 X. Quando isso acontece, a conta não fecha; quem fecha é a empresa.

Já passou da hora de empresas que lidam no mercado hoteleiro entenderem que ações de marketing, desde que bem planejadas, executadas e com o foco correto, geram lucro para os hotéis. Marketing tem a ver com suprir necessidades e realizar desejos. Hotelaria é serviço. Os hotéis cada vez mais se parecem, se não em decoração, se parecem em nível de serviço, qualidade de acomodações e outros fatores. Como o cliente irá escolher a opção que melhor lhe atende? Sendo assim, é imprescindível que hotéis tenham uma estratégia agressiva para mostrar seu produto, saiba criar diferenciais Verdadeiros para seus clientes (e não somente aquilo que está escrito no folder do hotel, já que o papel aceita tudo),  e principalmente entenda que investir na realização dos desejos dos clientes (Marketing) não é apenas uma despesa, mas um investimento no principal ativo de qualquer empresa.

A diferença do marketing despesa, para o marketing investimento é tão somente uma questão de ponto de vista. Voltando ao início, as duas coisas podem soar idênticas ou entremeadas dependendo do ângulo de visão. Porém, ao pensarmos de maneira mais ampla, essa diferença se torna grande e decisiva. E você gestor? Continuará tendo um departamento de marketing que apenas gasta, ou passará a ter um que investe?

10 perguntas para gestores de hotéis

  • O público-alvo do seu hotel é bem definido? Você sabe quem ele é?
  • Seu hotel atende as necessidades desse público?
  • Quais os diferenciais do seu hotel para atrair e manter seus hóspedes?
  • Seus clientes estão realmente satisfeitos? Em que você se baseia para ter essa certeza?
  • Qual a taxa de retorno de seus clientes? Porque eles voltam?
  • Você conhece e trabalha as especificidades dos seus hóspedes?
  • Como seu cliente é premiado pela fidelidade a seu hotel?
  • Comentários, sugestões e reclamações de seus hóspedes são devidamente recebidas? Qual o tratamento seu hotel dá a eles?
  • Com qual frequência você se comunica com seus clientes para acompanhar a qualidade do serviços prestados? Seu hotel é ativo ou passivo na busca de informações?
  • Quantos novos serviços você criou para seu hóspede no último ano? Quais? Porque?

Como o mercado trata as iniciativas de futuros profissionais?

O Brasil possui hoje um grande número de faculdades de hotelaria. Era de se esperar que isso gerasse grandes mudanças no setor. Não digo que nada de novo esteja acontecendo, mas acredito que as mudanças deveriam ser mais profundas. É inegável que o setor vem presenciando uma melhora significativa na qualidade dos profissionais. Talvez essa melhora ainda não acompanhe as demandas do setor, mas é um começo.

O grande problema é que os cursos de graduação, além de ensinarem a parte técnica da profissão, deveriam servir para fomentar o desenvolvimento da atividade. É difícil dizer onde está o erro, mas durante minha graduação, não vi nenhum tipo de incentivo para projetos de pesquisa que tivessem como objetivo o desenvolvimento de ferramentas para os diversos setores da hotelaria. E isso acontecia tanto do lado da faculdade, quanto do mercado. A primeira não dava o suporte necessário e o segundo não demonstrava o menor interesse ou boa vontade de servir como campo de pesquisa.

Vejo aí uma grande negligência. A academia perde oportunidade de cumprir seu papel, desenvolver conhecimento. Já o mercado abre mão de conhecer iniciativas, mesmo que necessárias de lapidação, que podem servir para o dia-a-dia do empreendimento. E mais do que isso, o mercado perde profissionais que demonstram a busca por mudanças, profissionais esses que podem estar em posições estratégicas nas organizações em pouco tempo.

Até quando, não sei.