Visão de curto prazo domina hotelaria no Brasil – e a crise?

O empresário/gestor de hotelaria no Brasil, infelizmente, não foge à média dos empresários de outros setores. Um dos maiores problemas dos hotéis e redes hoteleiras no país é a visão de curto prazo.

O mercado chegou a um ponto onde existe planejamento, isso é um fato. Os hotéis trabalham com planejamento estratégico, investimentos e planejamento comercial, mas o horizonte ainda é muito limitado. Todo final de ano é hora de fazer fechamentos, balanços e de projetar o ano seguinte. Os cenários, nacional e internacional são levados em conta, mas a visão imediatista ainda é o que domina. Trocando em miúdos, se no momento o hotel tem boa ocupação, boa diária média, o pensamento do gestor é de que não precisa manter altos níveis de investimento em ações comerciais e de marketing. Essa forma de atuação expõe o empreendimento a variações rápidas e perigosas.

Isso parece óbvio, mas não é raro ver gerentes/investidores se questionando como os resultados do hotel pioram tanto de uma hora para outra. Negligenciar as ações de marketing em função de bons resultados de momento é o modus operandi do mercado. Pego o mercado de Belo Horizonte como exemplo. Os anos de 2007 e 2008 apresentaram boas taxas de ocupação e crescimento de diárias médias na maioria dos hotéis voltados para o segmento corporativo. Nesse período acompanhamos a diminuição da estrutura de departamentos comerciais. A regra aplicada é simples: os hotéis estão lotados durante a semana, as diárias médias são as melhores, pra que manter altos custos com departamento comercial? Vem o ano de 2009 e uma grande crise econômica mundial. A consequência imediata é que grandes empresas entram em compasso de espera, evitando investir agora o que pode esperar algum tempo, até que o cenário fique menos nebuloso. Em Belo Horizonte a receita dos hotéis com eventos já caiu aproxmadamente 20% em relação ao mesmo período do ano passado. Como evitar essa variância?

O mercado hoteleiro brasileiro já vive um estado de maturidade tal em que deveria entender que ações comerciais, de marketing e de relacionamento com clientes não podem ser pontuais. Relacionamento pressupõe continuidade. Investir durante algum tempo, parar e depois retomar os investimentos significa jogar no lixo tudo que foi feito anteriormente. O planejamento estratégico de marketing de um hotel deve contemplar ações contínuas de relacionamento com clientes para que esse hotel consiga se manter operando e saudável. Quem ainda acredita que o departamento de marketing é um entregador de brindes de final de ano, caminha a passos largos para o fracasso. É imperativo pensar no médio e longo prazos para que a potencialização de resultados imediatos não afete o futuro do empreendimento.

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