Brasil 2014, Rio de Janeiro 2016
O grande assunto dos últimos dias é a vitória do Rio de Janeiro para sediar os Jogos Olímpicos. Será a primeira vez que o evento ocorrerá na América do Sul. Somado a ele temos confirmada a mais tempo a realização de uma Copa do Mundo em nosso país (fato que já ocorreu em 1950). Tirando a empolgação natural que tais notícias geram, algumas perguntas tem sido feitas de maneira recorrente: Como o país irá se preparar para sediar os dois eventos esportivos mais importantes do mundo? Os investimentos necessários para o sucesso desses eventos serão suficiente? Haverá transparência nos gastos públicos ou veremos aquele sem fim de denúncias que já estamos acostumados? Quais serão os legados desses eventos para o país (nos âmbitos esportivo, social, econômico)? E por fim o que nos interessa mais especificamente: Como o turismo e a hotelaria brasileiros irão lidar e se aproveitar dessa oportunidade. Nesse texto falarei brevemente das minhas expectativas para o segmento hoteleiro brasileiro.
Mesmo possuindo abrangências diferentes (a Copa do Mundo é sediada por um país, enquanto as Olimpíadas por uma cidade), acredito que as considerações se apliquem em ambos os casos. Com certeza o país deve encarar essas duas oportunidades ímpares para investir em sua infra-estrutura, sua educação (que deve ser fortemente calcada na cultura do esporte), na modernização de suas cidades. O Brasil e o Rio de Janeiro devem também aproveitar os eventos para alavancar suas imagens para todo o mundo que estará de olho no que acontecerá por aqui, tanto em 2014, como em 2016. Como consequência disso quem sai ganhando diretamente é a atividade turística do país. Nunca tivemos tão boa chance de conseguir investimentos para modernizar nossa rede hoteleira (que hoje é considerada tímida para o volume de pessoas que virão para os eventos). Podemos esperar o que existe de melhor para o futuro dessa atividade. Aí começam os perigos e os avisos de atenção, que se olhados e levados a sério desde agora trarão bons frutos para o país.
Sabemos que o Brasil é um país de extremos. Riqueza e pobreza; honestidade e corrupção; eficiência e morosidade. Porém, acredito, que o país tem todas as condições e competências necessárias para realizar dois eventos inesquecíveis. Somo a isso as belezas do país e a hospitalidade do nosso povo, que são marcas notórias do Brasil para o mundo. Mas corremos o risco de nos deixar levar por isso e esquecermos do que realmente importa. Aquilo que precisa ser feito e que não temos como traço de personalidade. O país precisa de planejamento, precisa de obras profundas de infra-estrutura, precisa de educação para o esporte, precisa de transparência nos gastos públicos, precisa de seriedade no trato do que é de todos. Nesse contexto, achar que nossas qualidades serão suficientes para alcançar o sucesso nesses eventos é pura ilusão. E mais do que isso, devemos pensar bem em tudo que será construído e como o dinheiro sera investido, sob pena de terminarmos os eventos com espaços ociosos, verdadeiros elefantes brancos. E isso se aplica também à hotelaria.
É sabido que a maioria das cidades que foram escolhidas para sediar jogos da Copa do Mundo tem UH’s em quantidade insuficiente para suprir a demanda que irá existir. Isso também se aplica ao Rio de Janeiro (que possui boa rede hoteleira, mas não para comportar os jogos olímpicos). Fica clara a necessidade de investimento no setor. Hotéis serão construídos para os dois eventos, e as grandes redes já planejam os investimentos. É aí que vejo a grande armadilha. Contruir hotéis é uma atividade cara. Sustentar hotéis no médio e longo prazo, é mais caro ainda. Então, qual será o uso desses empreendimentos após a Copa do Mundo e os Jogos Olímpicos? É normal que a demanda até a realização do evento continue crescendo, mas será que esse crescimento normal irá ocupar as UH’s criadas de maneira sustentável ao longo do tempo? Eu tenho sérias dúvidas quanto a isso. Temos o péssimo costume no Brasil de ver apenas o lado bom das coisas, e não o hábito de criticar e de ponderar os lados negativos de cada atitude. Indo um pouco mais além vejo que serão inócuos os esforços de criar um rede hoteleira maior e mais moderna se esse crescimento não vier acompanhado de uma sensível melhora no trânsito das grandes cidades, bem como nos níveis de segurança, que hoje são baixos e tem caído corriqueiramente.
Para encerrar, repito que acredito piamente no sucesso da Copa do Mundo do Brasil em 2014, bem como nos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro em 2016. Para que isso aconteça é necessário então, que todos nós estejamos de olhos abertos para o que está sendo feito. E que isso não aconteça apenas agora em que estamos no calor do momento, lembrando que faltam respectivamente 05 e 07 anos para Copa e Olímpiadas. Fico aqui na espera dos comentários de vocês, para que possamos aprofundar essa discussão. Devemos ter sempre em mente que nós que trabalhamos e vivemos da hotelaria teremos papel decisivo para o sucesso dos eventos. Conto com todos.
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