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Como o mercado trata as iniciativas de futuros profissionais?

O Brasil possui hoje um grande número de faculdades de hotelaria. Era de se esperar que isso gerasse grandes mudanças no setor. Não digo que nada de novo esteja acontecendo, mas acredito que as mudanças deveriam ser mais profundas. É inegável que o setor vem presenciando uma melhora significativa na qualidade dos profissionais. Talvez essa melhora ainda não acompanhe as demandas do setor, mas é um começo.

O grande problema é que os cursos de graduação, além de ensinarem a parte técnica da profissão, deveriam servir para fomentar o desenvolvimento da atividade. É difícil dizer onde está o erro, mas durante minha graduação, não vi nenhum tipo de incentivo para projetos de pesquisa que tivessem como objetivo o desenvolvimento de ferramentas para os diversos setores da hotelaria. E isso acontecia tanto do lado da faculdade, quanto do mercado. A primeira não dava o suporte necessário e o segundo não demonstrava o menor interesse ou boa vontade de servir como campo de pesquisa.

Vejo aí uma grande negligência. A academia perde oportunidade de cumprir seu papel, desenvolver conhecimento. Já o mercado abre mão de conhecer iniciativas, mesmo que necessárias de lapidação, que podem servir para o dia-a-dia do empreendimento. E mais do que isso, o mercado perde profissionais que demonstram a busca por mudanças, profissionais esses que podem estar em posições estratégicas nas organizações em pouco tempo.

Até quando, não sei.

Visão de curto prazo domina hotelaria no Brasil – e a crise?

O empresário/gestor de hotelaria no Brasil, infelizmente, não foge à média dos empresários de outros setores. Um dos maiores problemas dos hotéis e redes hoteleiras no país é a visão de curto prazo.

O mercado chegou a um ponto onde existe planejamento, isso é um fato. Os hotéis trabalham com planejamento estratégico, investimentos e planejamento comercial, mas o horizonte ainda é muito limitado. Todo final de ano é hora de fazer fechamentos, balanços e de projetar o ano seguinte. Os cenários, nacional e internacional são levados em conta, mas a visão imediatista ainda é o que domina. Trocando em miúdos, se no momento o hotel tem boa ocupação, boa diária média, o pensamento do gestor é de que não precisa manter altos níveis de investimento em ações comerciais e de marketing. Essa forma de atuação expõe o empreendimento a variações rápidas e perigosas.

Isso parece óbvio, mas não é raro ver gerentes/investidores se questionando como os resultados do hotel pioram tanto de uma hora para outra. Negligenciar as ações de marketing em função de bons resultados de momento é o modus operandi do mercado. Pego o mercado de Belo Horizonte como exemplo. Os anos de 2007 e 2008 apresentaram boas taxas de ocupação e crescimento de diárias médias na maioria dos hotéis voltados para o segmento corporativo. Nesse período acompanhamos a diminuição da estrutura de departamentos comerciais. A regra aplicada é simples: os hotéis estão lotados durante a semana, as diárias médias são as melhores, pra que manter altos custos com departamento comercial? Vem o ano de 2009 e uma grande crise econômica mundial. A consequência imediata é que grandes empresas entram em compasso de espera, evitando investir agora o que pode esperar algum tempo, até que o cenário fique menos nebuloso. Em Belo Horizonte a receita dos hotéis com eventos já caiu aproxmadamente 20% em relação ao mesmo período do ano passado. Como evitar essa variância?

O mercado hoteleiro brasileiro já vive um estado de maturidade tal em que deveria entender que ações comerciais, de marketing e de relacionamento com clientes não podem ser pontuais. Relacionamento pressupõe continuidade. Investir durante algum tempo, parar e depois retomar os investimentos significa jogar no lixo tudo que foi feito anteriormente. O planejamento estratégico de marketing de um hotel deve contemplar ações contínuas de relacionamento com clientes para que esse hotel consiga se manter operando e saudável. Quem ainda acredita que o departamento de marketing é um entregador de brindes de final de ano, caminha a passos largos para o fracasso. É imperativo pensar no médio e longo prazos para que a potencialização de resultados imediatos não afete o futuro do empreendimento.